Rombo nas contas do governo ultrapassa os R$ 100 bilhões em agosto

AlĂ©m disso, rombo Ă© o quarto pior da sĂ©rie histórica para o perĂ­odo de janeiro a agosto. NĂșmeros são do Tesouro Nacional.

Por Jota Silva em 02/10/2023 às 08:17:18

As contas do governo federal registraram déficit primĂĄrio de R$ 104,59 bilhões de janeiro a agosto deste ano, informou nesta quinta-feira (28) a Secretaria do Tesouro Nacional.

O déficit primĂĄrio acontece quando a arrecadação com tributos fica abaixo dos gastos do governo (sem considerar o pagamento de juros da dĂ­vida pĂșblica). Quando as receitas superam as despesas, o resultado é de superĂĄvit primĂĄrio.

Em outras palavras os gastos foram muito além do que se arrecada deixando os cofres pĂșblicos literalmente no vermelho.

De acordo com o governo, esse é o pior resultado, para o perĂ­odo, desde 2020, quando houve aumento de despesas para o combate à pandemia da Covid-19. O saldo, nos oito primeiros meses daquele ano, ficou negativo em R$ 753,6 bilhões (valores corrigidos pela inflação).

Segundo nĂșmeros oficiais, este também foi o quarto maior déficit fiscal para janeiro a agosto, sendo superado por 2020, 2016 (-R$ 108,11 bilhões) e por 2017 (-R$ 119,74 bilhões), em nĂșmeros atualizados pelo IPCA.

No mesmo mĂȘs do ano passado, as contas do governo tiveram superĂĄvit de R$ 22,88 bilhões. Com isso, houve uma piora de R$ 127,47 bilhões dos oito primeiros anos de 2022 para igual perĂ­odo de 2023.

O governo foi autorizado pelo Congresso a ter um rombo de até R$ 238 bilhões em suas contas neste ano. Na semana passada, a ĂĄrea econômica informou que sua expectativa, até o momento, é de que o fique em R$ 141,4 bilhões em todo ano de 2023.

Somente em agosto, ainda de acordo com informações do Tesouro Nacional, as contas do governo apresentaram um resultado negativo de R$ 26,35 bilhões. Com isso, houve melhora em relação ao mesmo mĂȘs de 2022 - quando o déficit somou R$ 50,35 bilhões.

PEC da transição e arcabouço fiscal

O aumento do rombo nas contas pĂșblicas na parcial deste ano estĂĄ relacionado, principalmente, com a alta das despesas autorizada por meio da PEC da transição, aprovada no fim do ano passado pelo governo eleito do presidente Luiz InĂĄcio Lula da Silva.

Parte do valor foi usado para tornar permanente o benefĂ­cio de R$ 600 do Bolsa FamĂ­lia. Também foram recompostos gastos em saĂșde, educação e bolsas de estudo, entre outras polĂ­ticas pĂșblicas.

Para tentar evitar uma piora maior das contas pĂșblicas, a equipe econômica tem atuado, principalmente, no aumento de arrecadação. Com esse objetivo, foram adotadas essas medidas:

O governo também propôs, por meio do orçamento de 2024, que as suas contas tenham um déficit zero - resultado considerado ousado por economistas do mercado financeiro.

Para atingir esse resultado, porém, a equipe econômica propõe medidas de aumento de arrecadação em R$ 168 bilhões no próximo ano.

Fonte: g1

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