Adolescente que contraiu raiva morre no Distrito Federal

Um adolescente do sexo masculino que havia contraído raiva no Distrito Federal não resistiu à doença e morreu ontem (30). Ele estava internado em um...

Por Jota Silva em 01/08/2022 às 07:28:01

Um adolescente do sexo masculino que havia contra√≠do raiva no Distrito Federal n√£o resistiu à doen√ßa e morreu no √ļltimo dia (30). Ele estava internado em um hospital da rede particular desde o dia 20 de junho.

"Todas as medidas necess√°rias de investiga√ß√£o epidemiológica, controle e profilaxia foram tomadas junto aos familiares, contatos próximos e profissionais de sa√ļde", informou a Secretaria de Sa√ļde do Distrito Federal.

Causada por um v√≠rus, a raiva é uma zoonose que pode acometer diversos mam√≠feros, mas as principais espécies envolvidas no ciclo da doen√ßa s√£o c√£es, gatos, morcegos, raposa, cachorro-do-mato e saguis. Ela é transmitida ao homem através da saliva de animais infectados, principalmente por meio de mordida, arranh√£o ou lambida.

A doen√ßa é quase sempre fatal e se caracteriza por uma encefalite progressiva, levando à inflama√ß√£o do cérebro.

O Brasil, no entanto, tem sido eficaz no controle e as ocorr√™ncias t√™m sido espor√°dicas. Segundo a série histórica dispon√≠vel no site do Ministério da Sa√ļde, foram registrados 45 casos em todo o pa√≠s desde 2010. Houve apenas duas curas. No Distrito Federal, n√£o havia nenhum caso contabilizado nos √ļltimos 12 anos.

Vacinação antirrábica

A vacina√ß√£o antirr√°bica anual de c√£es e gatos em todo o território nacional é a principal estratégia de combate à doen√ßa. Ela est√° prevista no Programa Nacional de Profilaxia da Raiva (PNPR) criado em 1973. Os resultados foram determinantes para a redu√ß√£o de casos da doen√ßa. Em 1999, o pa√≠s registrou 1.200 c√£es com diagnóstico positivo. Em 2020, foram apenas 11. A meta é manter ao menos 80% da popula√ß√£o canina vacinada. Nos √ļltimos dois anos, no entanto, a cobertura diminuiu j√° que alguns estados e munic√≠pios suspenderam as campanhas de imuniza√ß√£o dos animais em decorr√™ncia da pandemia de covid-19.


Outra medida importante é o bloqueio de foco: sempre que houver uma suspeita de caso, deve-se vacinar, em até 72 horas, todos os c√£es e gatos em um raio de pelo menos 5 quilômetros. H√° ainda medidas de profilaxia pré-exposi√ß√£o que consistem basicamente em vacinar grupos mais expostos. Entre eles est√£o veterin√°rios, estudantes de veterin√°ria, pessoas que desenvolvem pesquisa ou trabalho envolvendo captura ou manejo de mam√≠feros, espeleólogos, guias de ecoturismo e outros profissionais que possuem atividades em √°reas de risco.


A popula√ß√£o em geral deve ser orientada a nunca tocar em morcegos ou outros animais silvestres diretamente, principalmente quando estiverem ca√≠dos no ch√£o ou encontrados em situa√ß√Ķes n√£o habituais. Também n√£o é conveniente se aproximar de c√£es e gatos sem donos, além de n√£o mexer ou toc√°-los quando estiverem se alimentando, dormindo ou acompanhado de suas crias ou mesmo dormindo.


Segundo a Secretaria de Sa√ļde do Distrito Federal, desde a confirma√ß√£o da infec√ß√£o do adolescente, foram tomadas diferentes provid√™ncias para evitar novos casos, entre eles o bloqueio de foco e a antecipa√ß√£o da campanha de vacina√ß√£o de animais. A pasta informou que j√° foram imunizados mais de 120 mil c√£es e gatos.

Animal agressor

A Secretaria de Sa√ļde do DF n√£o divulgou como o adolescente foi acometido pela doen√ßa. No levantamento do Ministério da Sa√ļde, dos outros 44 casos registrados no pa√≠s desde 2010, nove foram contaminados por meio de um c√£o, 22 de morcegos, quatro de primatas n√£o humanos, dois de raposas e quatro de felinos. Em tr√™s ocorr√™ncias, n√£o foi poss√≠vel identificar o animal agressor.

Nos √ļltimos 12 anos, o maior n√ļmero de casos foi registrado em 2018. Houve, na época, o registro de um surto no munic√≠pio de Melga√ßo (PA), acometendo 10 pessoas, todas com morcegos envolvidos na transmiss√£o. Com mais um caso em Ubatuba (SP), foram 11 ao todo.

Ao longo da série histórica iniciada em 2010, apenas em 2014 n√£o foi registrado nenhum caso. Além da v√≠tima adolescente no Distrito Federal, outras quatro pessoas j√° morreram devido à complica√ß√Ķes com a doen√ßa em 2022: todas eram adolescentes e crian√ßas ind√≠genas do munic√≠pio de Bertópolis (MG).

Diagnóstico e tratamento

Em caso de acidente com animais, recomenda-se lavar imediatamente o ferimento com √°gua corrente e sab√£o e buscar atendimento o mais r√°pido poss√≠vel para orienta√ß√Ķes. O médico poder√° indicar a necessidade de profilaxia pós-exposi√ß√£o, por meio da aplica√ß√£o de vacina ou soro.

Se essas medidas n√£o s√£o adotadas em tempo oportuno, a doen√ßa se instala. O per√≠odo de incuba√ß√£o apresenta uma média de 45 dias. A partir desse per√≠odo, surgem os primeiros sintomas como mal-estar geral, febre, dor de cabe√ßa, n√°useas, dor de garganta, irritabilidade, inquietude e sensa√ß√£o de ang√ļstia. Posteriormente, a infec√ß√£o progride surgindo manifesta√ß√Ķes mais agudas que podem envolver ansiedade e hiperexcitabilidade crescentes, del√≠rios, espasmos musculares e convuls√Ķes.

A confirma√ß√£o da doen√ßa é feita mediante exame laboratorial. H√° um protocolo de tratamento da raiva, baseado na indu√ß√£o de coma profundo, uso de antivirais e outros medicamentos espec√≠ficos. Entretanto, a taxa de sobreviv√™ncia é baixa.

Fonte: Agência Brasil

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